Sínodo da Amazônia : “Quem é contra é como se não confiasse no Espírito Santo, tem gente que exagera nas críticas”, diz bispo de Parintins

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Dom Giuliano, em entrevista exclusiva ao CNA7, mostra ser contra algumas sugestões do “Instrumentum laboris”, mas destaca a importância do Sínodo

Da Redação | CNA7
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Parintins (AM) – O Bispo da Diocese de Parintins, dom Giuliano Frigeni é um dos convidados para o Sínodo da Amazônia convocado pelo Papa Francisco para definir as diretrizes do trabalho da igreja na Pan-Amazônia. A programação inicia na manhã deste domingo, 6 de outubro, com a missa presidida pelo líder da igreja católica e a participação de bispos do mundo inteiro, em Roma. Os debates durarão três semanas e no Brasil são vistos com desconfiança pelo governo Bolsonaro. Apesar da preocupação governo e igreja tem mantido relações, entretanto, existem críticas de católicos conservadores em especial bispos que não são de acordo em virtude do documento de convocação “Instrumentum laboris” que apresenta sugestões para serem discutidas durante o sínodo.

 

Um dos cardeais contrários é o americano Raymond Burke seu posicionamento oposicionista se dá em virtude da possibilidade de permitir que índios mais velhos e casados possam atuar como sacerdotes. A parte criticada pelo cardeal, no documento, está descrita da seguinte forma: “Pede-se que, para as áreas mais remotas da região, se estude a possibilidade da ordenação sacerdotal de pessoas idosas, de preferência indígenas, respeitadas e reconhecidas por sua comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida cristã”

Em entrevista exclusiva a Central de Notícias da Amazônia (CNA7), na tarde deste sábado, 5, ao falar sobre o clima de expectativa para a abertura do Sínodo informou que as críticas em torno do encontro tem sido o tom das conversas entre os bispos antes de entrarem no evento. “A expectativa é muito grande apesar de muitas vozes contrarias ao sínodo, muitas vozes que soam como uma condenação da iniciativa tomada pelo Papa como se ele fosse uma pessoa que se mete em coisas que não deveria se meter”, comentou o pastor da igreja Católica Local.

Dom Giuliano continua: “Se o papa tivesse na cabeça e no coração a solução, não faria esse sínodo então quem é contra é como se não confiasse no Espírito Santo. Tem gente que exagera nas críticas nós sabemos que não existe nem um documento perfeito, aliás iremos trabalhar sobre esse instrumento de trabalho chamado, em latim, de Instrumentum Laboris que tem umas falhas e caberá a cada um de nós, não denunciar, mas corrigir e tudo mais. Agora negar o valor do sínodo acho que é um exagero de certas pessoas que não tem o juízo eclesial, ou tem uma ideia de uma igreja que não enfrenta os problemas. Acho eu, que a fala do papa amanhã (neste domingo) provavelmente na palestra inicial indique o método para nós trabalharmos em comunhão”,

O bispo de Parintins entende que o “Instrumentum laboris” é uma forma de pautar o encontro dos bispos e não significa uma determinação. “Ele (Papa) quer encontrar caminhos novos de evangelização. Então nós teremos um trabalho muito grande nessas três semanas e espero que a oração inicial deste domingo nos permita começar este trabalho com muita serenidade juntado as nossas experiências nas várias dioceses, no Matogrosso, Tocantins, Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá e Pará”, concluiu.