Opinião: Alter do Chão, Ponta de Pedras, Capadócia: o incêndio dentro de nossas casas

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Por Manuel Dutra

Saber que esse incêndio fica entre Alter do Chão e Ponta de Pedras, município de Santarém, é como receber um choque elétrico de alta tensão no peito. Inacreditável, inadmissível. É como botar fogo na própria casa, no compartimento onde se guarda a jóia mais preciosa.

Ou nós, como povo, como sociedade que se pretende civilizada, botamos um final nessa guerra contra a vida, ou dentro de pouco tempo alguém estará tocando fogo na rua e no quarteirão onde moramos. Os incêndios caminham cada dia para mais perto de nós, seja nas cidades seja nas matas mais próximas. Tenho receio que alguém jogue gasolina e acenda um fósforo no Parque da Cidade, em Santarém, ou no Museu Goeldi ou no Bosque Rodrigues Alves, no centro de Belém. Sim, porque os inimigos da vida parecem agir soltos, à vontade, procurando vida para transformá-la em morte.

Deixemos de lado, ao menos por um instante, as lengalengas politiqueiras que desgraçam este País. Juntemos as mãos, todos, não importa a cor das nossas camisas, e façamos alguma coisa, antes que seja tarde, tarde demais.

Foto:  Eugenio Scannavino Netto