Festa do Carmo: As histórias de devoção à padroeira de Parintins

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Todos os anos, de 6 a 16 de julho, milhares de pessoas acompanham a
procissão com a imagem da padroeira de Parintins

Carlos Alexandre | CNA7
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Parintins (AM) – Caminhar pelas ruas da Ilha Tupinambarana acompanhando um andor não representa simplesmente a participação na procissão de uma santa, mas a doação, entrega e o encontro de grandes e lindas histórias de amor e fé à padroeira da Diocese de Parintins, Nossa Senhora do Carmo, cujos festejos encerraram nesta terça-feira, 16 de julho.

É o caso de Romice Figueiredo, 57, que há 12 anos é voluntária na festa da padroeira. Ela enfrentou um câncer e chegou a ser desenganada pelos médicos. “Quando lembro, fico sem palavras porque fui curada de um câncer agressivo e o médico disse que tinha 99% de chances de não estar mais aqui hoje, e eu estou, e foi Nossa Senhora”, disse emocionada.

Segundo estimativas da Polícia Militar, cerca de 25 mil pessoas estiverem presentes na procissão da Virgem do Carmelo. Daniel da Silva, 20, viajou de Manaus para participar da manifestação de fé do povo parintinense. “É uma coisa extraordinária, nunca vi isso na minha vida. Nossa Senhora sempre abençoou a minha vida, minha família, meu emprego, eu me emociono porque ela sempre está abençoando a todos nós”, ressalta.

Foto: Arleison Cruz

Durante o percurso da procissão de encerramento, crianças vestidas de anjos, pessoas descalças, outras carregando tijolos, são algumas das várias formas de agradecer pelas bençãos alcançadas. Na rua Rio Branco, o grafismo foi a forma que os artistas dos bois Caprichoso e Garantido escolheram para declarar sua devoção à Maria. “É a forma de retribuir e agradecer pelas graças alcançadas, nosso dia-a-dia, nossa saúde, nossa carreira artística e ela nos protege sempre com seu manto sagrado”, destaca o artista plástico Glembergue Castro.

Foto: Yuri Pinheiro

O andor que conduziu a imagem de Nossa Senhora do Carmo foi confeccionado, pelo 20º ano consecutivo, pela equipe do artista Juarez Lima, e segue a temática da festa: “Maria, mãe dos povos da Amazônia”. “O próprio andor é essa mensagem de sustentabilidade. A face de Deus é a face da Natureza”, destaca Juarez.

Foto: Yuri Pinheiro

O Bispo da Diocese de Parintins, Dom Giuliano Frigeni, presidiu a celebração que encerrou os festejos de Nossa Senhora do Carmo. O professor do Centro de Estudos Superiores da Universidade Estadual do Amazonas (CESP-UEA) avaliou as manifestações de fé da população católica. Para ele o povo amazônico tem um forma própria de demonstrar sua religiosidade ao entender que é a expressão de gratidão do povo. “Maria reúne todas as pessoas e quando nos encontramos na igreja não existe aquele que é rico ou aquele que é pobre, pois é nesse momento de unidade que nos tornamos uma grande igreja, uma grande família”, conclui.

Foto: Yuri Pinheiro.

No rio de gente pelas ruas de Parintins neste dia 16, o que não faltaram foram histórias e homenagens comoventes e cheias de devoção de gente que espera o ano inteiro para o reencontro com a Virgem do Carmelo, seja para cumprir promessas, agradecer, pedir ou simplesmente homenagear Nossa Senhora do Carmo.