Ausência dos pais colabora com casos como da menor filmada possivelmente usando drogas em sala de aula

237

 

O pai da menor de 16 anos registrou boletim de ocorrência denunciando que a imagem da menor foi publicada em redes sociais

Da Redação | CNA7
[email protected]

Parintins (AM) – Em época de redes sociais todo mundo é juiz. Julgam, condenam e determinam o linchamento moral nesta grande praça pública onde todos estão escondido atrás de aplicativos de telefones celulares ou de computadores, mas pouco de fato mergulham na realidade do que vivem não apenas as escolas, mas inúmeros ambientes que são frequentados pelos jovens. A imagem da menor possivelmente usando droga na sala de aula mobilizou a opinião de muita gente e apontaram suas metralhadoras contra o corpo docente e gestão da escola.

Críticas ao educandário e ao gestor foram disparadas nas redes sociais, mas poucos desses críticos de fato estiveram na escola para entender a situação, mas quem sabe da realidade e vivencia situações como essas todos os dias também se pronunciou é o caso do professor Halisson Reny que pediu respeito aos educadores. “Todos os dias educadores dedicam suas vidas para produzir e partilhar conhecimentos enfrentando uma série de obstáculos que vão desde a falta de princípios de muitos alunos. Mas quando acontece um fato ruim os milhares de dedos de uma sociedade  egoísta e mal agradecida crucificam os educadores como se a postura inadequada de um aluno fosse culpa da escola”, disse o educador ao manifestar seu apoio ao gestor da escola João Bosco.

A escola senador João Bosco fez a sua parte ao ter acesso ao vídeo na última terça-feira e imediatamente repassou o caso para as autoridades competentes. O comissariado da infância e da juventude esteve no estabelecimento de ensino para acompanhar o caso. Para o coordenador João Vinicius os educadores tem tido dificuldades em lhe dar com situações como essas em virtude da ausência da família. “A gente percebe que esses alunos que não tem acompanhamento por parte dos pais, que não  participam das reuniões, não procuram saber como está a situação dos filhos. Esses alunos vias de regra causam problemas dentro da escola” comenta.

Vinicius assegura que além de casos com drogas e armas, outros problemas são registrados e acompanhados nas escolas como bullying, casos de automutilação, tentativa de suicídio. “As escolas buscam fazer aquilo que está ao alcance de cada um, mas é uma batalha que precisamos do engajamento de todos e se a família não fizer parte desse trabalho, desse acompanhamento a possibilidade de reduzir alguma coisa será mínima”, alerta.

Foto: Ramom Correa

O caso

Uma menor de 16 anos foi filmada na tarde desta terça-feira,9, dentro da sala de aula da escola senador João Bosco, localizada no centro da cidade de Parintins.  Ela possivelmente estaria usando produto entorpecente. A imagem viralizou em grupos de aplicativos de mensagens instantâneas e nas redes sociais e estarreceu a opinião pública, uma vez que a escola é uma das mais conceituadas e premiadas da cidade. O vídeo de aproximadamente 3 segundos mostra a forma como aluna pratica o ato sob os olhares sorridentes de uma outra colega.

A reportagem da Central de Notícias da Amazônia (CNA7) conversou com o gestor da escola professor Sávio Borges que preferiu não gravar entrevista, mas informou que registrou boletim de ocorrência e conversou com o pai da menor que está muito abalado com  a situação e com a exposição da imagem da menor de idade. Sávio assegurou que vai aguardar as investigações terminarem para se pronunciar.

O pai da estudante ficou surpreso ao ver a atitude da menor. Ele também registrou boletim de ocorrência em virtude da exposição da imagem da filha dele.

A conselheira Tutelar Ivanez Oliveira é quem está acompanhando o caso.  Ela vai ouvir o pai da menor nesta quinta-feira. Ela esteve ontem na delegacia de polícia onde solicitou o apoio dos investigadores para o levantamento dos dados de onde o vídeo foi publicado e para solicitar a retirada dos mesmos das redes sociais. Ivanez informou ainda que o caso da menor está sendo investigado pela delegacia especializada de crimes contra a criança, a mulher e o idoso e acompanhado pelo Ministério Público, por meio da promotora Lilian Nara.

Nota à Sociedade

A Coordenadoria Regional da Secretaria de Educação e Qualidade de Ensino – Seduc, professor Keyla Regina se manifestou por meio de nota sobre o caso. A nota diz o seguinte:

A Coordenadoria Regional de Educação de Parintins vem à público se posicionar sobre um vídeo que está circulando nas redes sociais, em que uma aluna da Escola Est. Sen. João Bosco é retratada supostamente consumindo entorpecente dentro da sala de aula.

Esclarecemos que repudiamos esse e qualquer ato que venha a denegrir o trabalho realizado pela equipe escolar deste e dos demais educandários. Informamos à sociedade que tanto o Conselho Escolar, quanto esta Coordenadoria de Educação estão apurando as informações e tomando as medidas cabíveis ao ato.

Informamos também, que diante da gravidade do fato, o caso foi encaminhado ao Setor Psicossocial da CREP, ao Conselho Tutelar e ao Comissariado da Infância e Juventude para que a aluna e seus responsáveis possam prestar esclarecimentos, receberem atendimento e/ou punições cabíveis.

Sem mais

Coordenadoria Regional de Educação de Parintins. SEDUC/CREP