A PRESENÇA DA RELIGIOSIDADE NEGRA NO FESTIVAL DE PARINTINS

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Ao expormos nossas convicções, se não pensadas elas em tempo ágil agridem pessoas, coisas ou situações em seu contexto. Ademais, nossas convicções nunca, jamais poderão se sobrepor a pensamentos ou atos, somente porque é contrário ao que para nós é correto. No entanto, a realidade é diferente e as vezes desprovida de sensatez e sensibilidade humana.

O sentimento de pertencimento acima das cores vermelha e azul, é capaz de transformar e retransformar conceitos em acordo com aquilo que convém. O Festival de Parintins nesse ano de 2019 se refez, e fez folclore, de fato. O Folclore, um dos eixos temáticos do Termo Cultura, nos leva a compreensão de identidade dos grupos étnicos da sociedade. Daí a importância de expressar as diferenças e mostrar a riqueza da diversidade.

Já não podemos ficar cantando o “índio chorou”, quando também na Amazônia choram benzedeiras, curandeiros, pais e mães de santo por serem desqualificados, ridicularizados, desacreditados por uma massa conservadora e preconceituosa. Isso é desfazer-se de conceitos antropológicos, ou dizer apenas que os desconhece. Não há derrota quando se coloca na mesa pensamentos pobres de que a Santa venceu a Macumba, sem sequer buscar a compreensão do termo, sem conceitos pejorativos.

Com a introdução do negro na Amazônia, com ele viera suas raízes, costumes e culturas, outras que com certas restrições, como a religião, os fizera atribuir nomes de seus dialetos africanos a santos cultuados apenas por brancos. São Jorge, na cultura negra Ogum, São Sebastião, rei das matas, Oxossi e assim por diante.

É um erro dizer que isso não dinamiza a harmonia nas apresentações dos bois, uma vez que, Miscigenação é sempre tema, ou seja, o negro está diretamente envolvido em tal contexto folclórico.

Em síntese, o Festival de Parintins é um meio possível para que se façam críticas, busca pela equidade social sem se desfazer daquilo que se diz tradição. Mostrando que é possível cantar o índio, o branco e o negro num só lugar, numa só arte. Provando para nós que somos todos iguais, porém, com costumes e ritos diferentes.

Por, Franciney Silva
Umbandista e Professor de Geografia